sábado, 4 de outubro de 2008
Afinal, somos todos liberais?
O quero discutir é essa idéia da não intervenção do Estado na economia, de que ela por si só consegue se auto-regular e sua relação com o liberalismo político. Enfim, o que as nossas liberdades individuais tem a ver com o "Estado Mínimo"? Será que o liberalismo político e liberalismo econômico são autônomos? São diferentes um do outro?
Para alguns pensadores, a liberdade de mercado é apenas mais uma das liberdades propostas por um liberalismo unificado, sem distinções. Entretanto, é necessério evidenciar que o problema abordado pela ótica econômica é diferente da abordagem da ótica política. Enquanto que o liberalismo político discute a relação Indivíduo/Estado, o liberalismo econômico analisa a relação Mercado/Estado.
Ambos tem em comum a visão do Estado não-intervencionista, ou seja, sua interferência na vida pessoal, econômica deve ser a menor possível.
Pertencemos a uma sociedade que exalta os nossos direitos e liberdades aos quatro cantos. Ao defendermos a democracia e nossas liberdades individuais tornamo-nos convenientes aos fundamentos do livre-mercado? Acredito que não. Nenhuma ideologia política prima pela perfeição. É necessário admitirmos. Todas possuem suas limitações na tentativa de explicar determinada realidade. A tradição do pensamento liberal não foge à regra. Na prática o liberalismo não se apresenta como alternativa de combate às injustiças sociais e agora prova de uma vez que o mercado não consegue se auto-regular sem interferência estatal.
Cá entre nós, o que será que pensam os discípulos do Consenso de Washington a respeito da crise americana e a tentativa do governo de contorná-la?
segunda-feira, 29 de setembro de 2008
Um novo Crash?
Pânico. Essa é a palavra que marca atualmente os mercados financeiros mundiais e, por conseguinte, todas pessoas que dependem do bom funcionamento dos mesmos - alguns um pouco mais, embora todos nós soframos de alguma maneira com a insustentabilidade do sistema capitalista.
A crise, que não é atual (veja a cronologia aqui), parece ter alcançado o ápice (do declínio) hoje, quando o Congresso norte-americano não aprovou o projeto orçado em US$ 700 bilhões para salvar os bancos dos Estados Unidos. Nesse sentido, após cerca de uma semana de angústia esperando o resultado do congresso, as bolsas americanas despencaram e atingiram níveis históricos. O índice Nasdaq Composite caiu 9,14%, acumulando no ano forte baixa de 25,21% enquanto o S&P 500, que engloba as 500 principais empresas dos EUA, encerrou o pregão em forte desvalorização de 8,81% atingindo 1.106 pontos e caindo 24,65% no ano, de acordo com o infomoney. Os efeitos dessa crise foram sentidos também aqui no Brasil, onde a bolsa sofreu o maior recuo desde o dia 14 de janeiro de 1999 e nenhuma das 66 ações listadas no Ibovespa fecharam em alta hoje.
Essa turbulência criou, então, um pânico financeiro global. O problema, que antes era tratado minunciosamente apenas nos EUA, passou a ser abordado pela mídia internacional e percebe-se que o interesse em entender o que está acontecendo com o mercado americano e os possíveis impactos dessa crise está aumentando. Isso, porém, gera outro problema: a perda de confiança do consumidor. Não só a confiança sobre a economia e sua habilidade em melhorá-la, mas a confiança no sistema bancário foi também abalada, segundo o vice-presidente da holding TNS/EUA (Taylor Nelson Sofres), líder mundial no segmento de pesquisas sob encomenda.
Lula, que na semana passada quando perguntado sobre a crise teria dito "pergunte ao Bush", já percebeu as incertezas e possíveis impactos dessa crise sobre a economia brasileira e reiterou sua posição de consciência com relação aos problemas atuais. Entretanto, voltou a mostrar uma certa ingenuidade na questão do câmbio, ao dizer que "um dia, o dólar vai parar". (Após atingir R$1,96, hoje, a cotação do dólar se igualou ao valor presenciado em 5 setembro de 2007.)
Esperamos que o dólar "pare" e que essa crise tenha uma solução. Porém, o cenário futuro se mostra muito incerto e, enquanto os pessimistas (ou declinistas) apontam até mesmo para o fim do capitalismo (estará Wallerstein perto de ver sua profecia?), os otimistas continuam confiando no mercado e na sua capacidade de se regular e de renovar-se, superando suas fraquezas.
ps= alguém aí quer comprar dólar? :P
sábado, 20 de setembro de 2008
A Crise Americana em uma simples analogia
Olá,Vou postar aqui, com algumas modificações, um texto muito legal que a Carla me enviou. Explica a crise americana (ou mundial?) em termos "simples".
Permitam-me oferecer um similar nacional à crise americana. É assim: o seu João tem um bar, na Vila Carrapato, e decide que vai vender cachaça 'na caderneta' aos seus leais fregueses, todos bêbados, quase todos desempregados. Por vender a crédito, ele aumenta um pouquinho o preço da dose da branquinha (a diferença é o sobrepreço que os pinguços pagam pelo crédito) e o gerente do banco do seu João, um ousado administrador formado em curso de emibiêi, decide que as cadernetas das dívidas do bar constituem, afinal, um ativo recebível, e começa a adiantar dinheiro ao estabelecimento tendo o "fiado" dos pinguços como garantia.
Uns seis Zécutivos de bancos, mais adiante, lastreiam os tais recebíveis e os transformam em CDB, CDO, CCD, UTI, OVNI, SOS, PQP ou qualquer outro acrônimo financeiro que ninguém sabe exatamente o que quer dizer.Esses adicionais instrumentos financeiros alavancam o mercado de capitais e conduzem a que se façam operações estruturadas de derivativos na BM&F, cujo lastro inicial todo mundo desconhece (mas que são as tais cadernetas do seu João).
Esses derivativos vão sendo negociados como se fossem títulos sérios com fortes garantias reais, nos mercados de 73 países, até que alguém descobre que os bebuns da Vila Carrapato não têm dinheiro para pagar as contas e o Bar do seu João vai à falência.
E toda a cadeia'sifu'.