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quinta-feira, 23 de outubro de 2008

E Dá-lhe Marx

Em tempos de crise do capitalismo a família Marx deve estar faturando muito.

Parece que o maior crítico do capitalismo está em alta ao contrário das bolsas de valores espalhadas pelo mundo. Sua obra nesse momento ganha mais vigor e é lida por mais gente.

Segundo a imprensa alemã, a obra de Karl Marx, O Capital, teve um aumento de 300% nas vendas nos últimos meses nas livrarias da Alemanha.

A editora alemã Karl Dietz vendeu em um mês o que costumava vender em um ano, cerca de 200 livros. No ano já foram vendidos 1,5 mil.

Segue AQUI a reportagem.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

O caráter psicológico da crise


Não sou nenhum psicólogo, mas acredito poder fazer essa análise:

Muito se tem falado com relação a atual crise. Porém, alguns pontos podem agravá-las, como o efeito psicológico causado na população.

De efeito psicológico já basta o capital especulativo!

Mas o que a mídia evidencia não deixa de causar temor na população.
Assim, em um país, como o Brasil, que tende a sofrer menos com a crise do que os outros países (por diversos motivos que não os cabem discutir aqui), acaba por sofrer um pouco mais do que deveria.
Como sitado anteriormente, o papel fundamental da mídia nesse processo,ou seja, a população ter acesso as informação das decorrências da crise, pode-se esperar uma possível retração do mercado, já que as pessoas são tomadas por um certo medo.
Porém, o fazem sem analisar muito bem a situação financeira e econômica do país, dando foco somente para a questão internacional.
Para tanto, o apoio ao mercado interno é uma garantia de continuidade de crescimento, mesmo com o cenário de crise internacional.
Mas não nos devamos iludir com uma possível redução do efeito da crise. Deve-se consumir com parcimônia e evitar usar do crédito e dos parcelamentos a perder de vista "a la casas Bahia"

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

"Entupiu o Sistema Circulatório do Capitalismo"

Sempre que posso deixo links de textos interessantes que encontro por aí na net de grande contribuição para aqueles que querem entender mais sobre determinado assunto.

Desta vez, coloco aqui o link de uma entrevista da respeitada economista Maria da Conceição Tavares falando sobre a crise financeira.

Segundo ela, "A questão central é que o crédito está congelado: entupiu o sistema circulatório do capitalismo. Sem crédito uma economia capitalista não funciona. Agora é torcer para que o entupimento não se transforme em trombose”.

Para mais clique no link: http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=15281

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Brasil e a Crise

Que o Brasil sofrerá com a crise financeira mundial não há dúvidas. Tanto que o governo publicou uma Medida Provisória (MP) nesta terça-feira, cujo objetivo é ampliar a atuação do Banco Central e socorrer instituições financeiras que estão sendo afetadas pela crise. Como farão isso? A MP prevê uma injeção de recursos no mercado de créditos. Sabe-se que o Brasil já injetou 75 bilhões de reais na economia. Inclusive no nosso Estado do Espírito Santo o governador Paulo Hartung já prevê corte de gastos no orçamento de 2009. É provável que o setor de infra-estrutura seja o único à sofrer cortes.

Porém fico imaginando uma crise de determinadas proporções como essa aparenta ser há uns dez anos. O Brasil durante o governo de Fernando Henrique Cardoso limitava-se a comercializar com Estadors Unidos e Europa, e atualmente temos de reconhecer o mérito do governo Lula em diversificar os parceiros comerciais do Brasil não olhando apenas para o norte. Ainda assim, há uma concentração no comércio com Estados Unidos, Argentina, UE e China. Esses países representam cerca de 57% da pauta de exportação brasileira, sendo Estados Unidos o maior parceiro comercial do Brasil seguido pela China que recentemente ultrapassou a Argentina.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

A Campanha do pânico financeiro e suas fraquezas

A quantidade de notícias sobre a “atual” crise financeira norte-americana nos leva a refletir sobre uma possível campanha de desinformação, baseada no medo do consumidor de que seu poder de compra e capacidade de contrair crédito diminua ou até mesmo se extinga, levando-se em consideração a falência de bancos.

Essa campanha iniciada por Bush (que no dia seguinte ao encontro na ONU fez um discurso que tratou somente da crise e defendeu o pacote de ajuda bilionário como forma de salvar o país de uma “recessão longa e dolorosa”) tem repercutido na mídia internacional com o uso de manchetes apocalípticas (“The World As We Know It Is Going Down”, no Der Spiegel, só para exemplificar) que, no mínimo, influenciam o leitor a concordar com a visão do presidente norte-americano. Seguindo a mesma linha de raciocínio, Henry Paulson – secretário do Tesouro – chegou a se ajoelhar diante da presidente da Câmara para que a mesma não inviabilizasse o acordo prospoto, segundo a última Veja de setembro.

O maior defeito dessa campanha, porém, reside no fato de que a ajuda aos bancos deve partir do consenso popular e a popularidade de Bush é ridiculamente baixa, desde o início desse ano (beirando os 30%). Nesse sentido, sua capacidade de coagir os ianques a aceitar um projeto notadamente estadista é muito baixa. Aliás, aí está o outro problema desse pacote de ajuda: sua característica contrária ao livre-mercado. O que aconteceu com a auto-regulamentação dos mercados? Se alguns bancos agiram de forma errada concedendo empréstimos a quem não deveriam (os pinguços desempregados daquela “simples analogia” que já postei), que essas empresas sofram agora as conseqüências. Afinal, os bancos são apenas uma forma criada pelo mercado para facilitar empréstimos e o fim dessas entidades financeiras significa o surgimento de outras estruturas. Não é a lei da sobrevivência a égide do funcionamento do capitalismo?

A rejeição da proposta do governo, incentivada pelos próprios republicanos, demonstra a fraca liderança de Bush em seus últimos dias como presidente. Essa tentativa de ajudar os bancos parece ter sido um ensaio desesperado de sair do cargo com algum prestígio, como o presidente que salvou a Bolsa americana e solucionou crise financeira (o que esse pacote, aliás, não faria).

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Um novo Crash?

Pânico. Essa é a palavra que marca atualmente os mercados financeiros mundiais e, por conseguinte, todas pessoas que dependem do bom funcionamento dos mesmos - alguns um pouco mais, embora todos nós soframos de alguma maneira com a insustentabilidade do sistema capitalista.

A crise, que não é atual (veja a cronologia aqui), parece ter alcançado o ápice (do declínio) hoje, quando o Congresso norte-americano não aprovou o projeto orçado em US$ 700 bilhões para salvar os bancos dos Estados Unidos. Nesse sentido, após cerca de uma semana de angústia esperando o resultado do congresso, as bolsas americanas despencaram e atingiram níveis históricos. O índice Nasdaq Composite caiu 9,14%, acumulando no ano forte baixa de 25,21% enquanto o S&P 500, que engloba as 500 principais empresas dos EUA, encerrou o pregão em forte desvalorização de 8,81% atingindo 1.106 pontos e caindo 24,65% no ano, de acordo com o infomoney. Os efeitos dessa crise foram sentidos também aqui no Brasil, onde a bolsa sofreu o maior recuo desde o dia 14 de janeiro de 1999 e nenhuma das 66 ações listadas no Ibovespa fecharam em alta hoje.

Essa turbulência criou, então, um pânico financeiro global. O problema, que antes era tratado minunciosamente apenas nos EUA, passou a ser abordado pela mídia internacional e percebe-se que o interesse em entender o que está acontecendo com o mercado americano e os possíveis impactos dessa crise está aumentando. Isso, porém, gera outro problema: a perda de confiança do consumidor. Não só a confiança sobre a economia e sua habilidade em melhorá-la, mas a confiança no sistema bancário foi também abalada, segundo o vice-presidente da holding TNS/EUA (Taylor Nelson Sofres), líder mundial no segmento de pesquisas sob encomenda.

Lula, que na semana passada quando perguntado sobre a crise teria dito "pergunte ao Bush", já percebeu as incertezas e possíveis impactos dessa crise sobre a economia brasileira e reiterou sua posição de consciência com relação aos problemas atuais. Entretanto, voltou a mostrar uma certa ingenuidade na questão do câmbio, ao dizer que "um dia, o dólar vai parar". (Após atingir R$1,96, hoje, a cotação do dólar se igualou ao valor presenciado em 5 setembro de 2007.)

Esperamos que o dólar "pare" e que essa crise tenha uma solução. Porém, o cenário futuro se mostra muito incerto e, enquanto os pessimistas (ou declinistas) apontam até mesmo para o fim do capitalismo (estará Wallerstein perto de ver sua profecia?), os otimistas continuam confiando no mercado e na sua capacidade de se regular e de renovar-se, superando suas fraquezas.


ps= alguém aí quer comprar dólar? :P